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O que Deus tem me ensinado no silêncio

O que o Senhor tem me ensinado recentemente? Sobre prioridades. Tenho me perguntado constantemente se minhas prioridades estão alinhadas às dEle. É tão fácil, nesse mundo que não para ou desacelera, entrarmos em outro ritmo e nos perdermos em inúmeras tarefas, esquecendo-nos do que Deus nos chamou, individualmente, para fazer. É uma tentação colocar a taxa de conclusão de tarefas como uma métrica de sucesso diário, ao invés da obediência e da permanência. 


Tenho orado todos os dias me perguntando se tenho alcançado as metas de Deus para minhas 24 horas. Não vou dizer que tenho a resposta clara diariamente, mas tenho orado diariamente pedindo que eu faça isso. Não cabe a mim saber a resposta sempre, e, sim, confiar. Afinal, por que duvidar daquEle para o qual eu oro? Eu preciso, no mínimo, ter fé de que Ele está me guiando e alinhando, mesmo que eu não sinta, mesmo que eu não perceba ou tenha "evidências". Deus é bom, é do coração dEle ter uma filha que anda no Seu ritmo, e é do meu coração andar na Sua cadência. A minha parte tenho feito: orado, parado, refletido, lutado contra o modo automático, renunciado e descansado.


Descanso.


Hebreus 4 nos aponta um descanso que precisamos alcançar enquanto ainda vivos. Paulo se inclui nessa mensagem não como alguém que já o alcançou, mas como alguém que estava, como nós, buscando.

Ele cita que devemos ter cuidado para não parecer que deixamos de alcançar a promessa de descanso.


Fiquei me perguntando: é um descanso de espírito? De alma? De corpo? Uma linha de pensamento, não uma resposta definitiva, que mais me deu convicção foi a de que Deus não faria uma promessa de descanso para uma parte do ser humano, mas para ele como um todo. Um descanso de espírito, de alma e de corpo.


A Palavra é muito clara que é necessário descansar fisicamente nesse capítulo, no versículo 10: descansar das obras. Assim como fala de um descanso de alma, no versículo 15, sobre termos um sumo sacerdote que se compadece das nossas fraquezas. Ora, onde a fraqueza estaria senão também na alma? A inclinação a pecar começa no nosso pensamento e nas nossas emoções. E justo neste capítulo lemos que podemos pedir com confiança, diante do trono da Graça, misericórdia e graça para sermos ajudados.


A Palavra fala especificamente contra o pecado, porque é justamente ele que traz caos e desordem ao nosso ser, nas três esferas. Ajuda contra o pecado, viver em santidade é o que nos ajuda a ter paz. Não que a paz dependa da nossa performance, mas, se a paz é arbitro em nossos corações, é natural que Deus não conceda “paz para pecar” e, sim, “paz para permanecer e resistir”. Paz esta que transcende as emoções.


Eu já tive o privilégio de, no meio de emoções ansiosas, buscar ao Senhor e sentir uma injeção gradual de paz no meu ser que acalmou as ondas da mente. Mesmo sem ter endereçado meus pensamentos. Às vezes, não é necessário acalmar de onda a onda, mas apenas falar com o Criador de tudo.

É uma paz que, mesmo que sua mente esteja acelerada, e você não tenha encontrado motivos e evidências racionais que diminuam a sua ansiedade, ou falem contra as emoções desordenadas que você sentia… inunda.


A paz de Deus não depende de insights humanos para se instalar. Pelo contrário, a Palavra fala que ela excede o entendimento. E quantas vezes abrir mão de entender foi o que abriu a porta para a paz dominar?

A paz não mudou as circunstâncias, mas mudou a forma como as vivo e encaro. E não há nada mais precioso do que manter a confiança em Deus. Já temos desafios demais nessa terra, não precisamos que nossa mente, nossa própria casa e lente de mundo, sejam mais um. Por isso, busquemos a paz de Deus, que vem após e com a humildade e o arrependimento (mudança de rota, reconhecer que é necessário uma mudança de mente, de visão, de comportamento, para se alinhar com Deus).


Neste sábado conhecido como 'sábado do silêncio', o dia que intermedia a sexta da crucificação e o domingo da ressurreição, tenho usado o silêncio para refletir. O sepulcro ainda estava selado, fechado, lacrado, sem sinal de vida ou mudança de situação. Porém, entre a última visita "de hoje" dos amigos de Jesus e a primeira "de amanhã", a história da humanidade foi dividida em antes e depois de Cristo. Em Isaías 60:22, lemos que, quando for a hora, Deus fará acontecer depressa. Realmente, foi "de repente" que essa mudança aconteceu. Na verdade, comparo com a leitura de um livro, virar a página é rápido, mas é preciso haver realizado a leitura da anterior, que não é um processo tão rápido quanto virar.


Assim são os de repentes de Deus. Acontece em um instante, porém foram precedidos por um longo processo de preparação e enraizamento. Às vezes olhamos para nossa vida e vemos área lacradas, bloqueadas por uma grande pedra que, ora sabemos nomear, ora nem sabemos que existe. Sem sinal de vida. Contudo, permanecer orando, permanecer buscando – seja ajuda profissional para a alma, sejam conselhos para outras áreas da vida e apoio em oração – é o processo de ler. Precisamos confiar que, quando as palavras encherem a página o suficiente, ela vai virar.


O sepulcro estava lacrado. Para os cristãos, o Autor da vida estava morto. A Esperança jazia dilacerada. A Paz inerte sobre uma pedra. A Salvação, morta. A Verdade, gelada em um túmulo de pedra. Eu nem imagino o completo desespero e vazio que seus discípulos seguiram. Você consegue ter um vislumbre de suas emoções? Eu larguei tudo para seguir Jesus… e Ele está morto! Ou E agora? Perdi tudo o que tinha porque confiei por inteiro nesse homem que se dizia Deus… e Ele está morto, impossível ressuscitar de uma morte como aquela.


Fico pensando nos pensamentos que inundaram a mente de Seus amigos. Sabe, antes do virar de página, há um momento de silêncio em que nossos corações são testados naquilo que acreditam. Ester ficou 30 dias sem falar com o rei antes de se aproximar e salvar o povo. Daniel viveu 21 dias em jejum, sem resposta, antes do anjo chegar. Jesus passou 40 dias no deserto antes da tentação e da aprovação. Os cristãos precisam passar por momentos de silêncio, só assim a fé se enraiza e o coração se fortalece.


É fácil seguir Jesus enquanto todos gritam "hosana!" pelas ruas. Somente quando gritam "crucifica-o" violentamente é que os verdadeiros fiéis são revelados. Eu oro para ser uma verdadeira fiel, mas sei que minha carne é fraca. Eu oro por força para permanecer contra tudo e todos, mas só terei certeza da minha condição quando for testada. Por isso, não temo testes, antes, sou grata por eles. Vejo-os como privilégio. Testes são provas que passamos com Deus. Quanto antes eu puder ver o que há na minha vida que precisa ser alinhado para essa estação – porque o trabalho é até o fim da vida –, melhor. Imagina só continuar guardando comida que já venceu na geladeira enquanto há outras muito mais saborosas e nutritivas esperando um espaço para serem melhor preservadas? 


É parecido com o que acontece nas nossas vidas. Quantas vezes eu quis preservar um posicionamento que foi-me útil e necessário por um período, mas agora se tornou raso e obsoleto? Ou um sentimento de amargura que fazia sentido e, hoje, não mais? Um orgulho e ego que eu julgava ser um comportamento normal – até um traço de identidade! – que precisam ficar para trás?


Passar por testes fortalece. A alma pode se angustiar, afinal, há um orgulho no ser humano de sempre querer estar certo e reconhecer seus erros o confronta. Contudo, Deus nos promete um descanso, não é mesmo? E, até que ponto, muitos de nós não entramos no descanso porque há um bloqueio em nossas almas de orgulho? Como o sepulcro selado, a pedra que separa a morte da vida pode ser o orgulho. Jesus estava vivo do lado de dentro, porém, precisou sair caminhado para fora para transformar o mundo. 


Hoje, peça para Deus remover a sua pedra – e moer o seu orgulho. Vamos precisar rever nossa lista de tarefas, nossa rotina, nosso coração. Vamos precisar continuar buscando, mesmo sem ver nenhuma evolução. Continuar orando, mesmo sem sentir nada. Contudo, assim como o Sábado do Silêncio foi a ponte entre a morte e a vida, os processos em nossas vidas funcionam da mesma forma. Acostume-se com o silêncio. Não em um sentido de se contentar com ele, porque Deus fala conosco na espera e na fornalha também. Mas em um sentido de: não tente fugir do silêncio com atalhos, vícios, respostas imediatas e pressa. 


Deixe que a ansiedade domine. Sim, isso mesmo que você leu. Às vezes, a ansiedade é a poeira debaixo do tapete que se acumulou e o silêncio é o vento que levanta esse tapete. Ela precisa se levantar para ser limpa. Quantas vezes eu precisei parar de reprimir o que sentia – mesmo não tendo dimensão do quanto e de por quanto tempo eu estava reprimindo – e lidar com aquela explosão de sentimentos de uma vez. Contudo, o fiz na Presença de Deus. Fechei a porta do quarto e falei: Senhor, não sei o que está acontecendo, mas estou na Sua presença porque Tu podes acalmar a tempestade e me conduzir à águas tranquilas de forma duradoura. Eu Te entrego o que precisa ser limpo e tratado, em nome de Jesus. Que eu permaneça para ser quem o Senhor me fez para ser.


Pronto. Assim, um processo de horas, dias, meses e anos se inicia. 


Certo dia, uma amiga falou comigo sobre já ter feito orações desse tipo e não ter visto nenhum aprendizado. Eu a respondi com uma história. Quando eu tinha 17 anos, fui para um retiro e ouvi claramente o Senhor me dizer que me ensinaria a paternidade dEle. Eu orei pedindo por isso e me abrindo. Contudo, não é como se meses depois eu tivesse claro na minha mente "ensinamento número 1 da paternidade de Deus". Eu precisei (adivinha só) ficar em silêncio, orar e refletir. Eu sabia que muito havia mudado na forma como eu O via, só não sabia explicar, o que não significa que não aprendi nada – apenas que tinha várias pedras preciosas espalhadas na minha vida, mas eu ainda não tinha a capacidade de reconhecer que elas formariam um belo e ordenado colar.


É preciso passar pela desordem para alcançar a ordem e a paz. 


Deus não tem compromisso com nosso imediatismo, nem com nosso conforto emocional, mas com nosso caráter ser forjado para um propósito. Essa consciência me conforta em cada desafio. Eu não preciso saber. Eu não preciso entender. Eu preciso apenas confiar.


Reconheço que é um treino de mente. Contudo, com a força do Espírito Santo, é possível abrir mão do controle. Abrir mão da caixinha que você espera como resposta de Deus. Abrir mão do que você acha que sabe (e até tem certeza de que sabe). Já vi muitas pessoas passarem anos esperando uma resposta de Deus dentro de uma caixinha de expectativa e controle (mesmo jurando que não faziam isso), o que gerava nelas uma cegueira de "A resposta de Deus vai vir de xyz forma", e, quando vinha de "htc" não achavam que era o suficiente. Que não sejamos assim, amados. Ore: Pai, se eu estiver sendo assim, abre os meus olhos e me corrige. Isso é uma pedra a ser removida.


A vida e a esperança já estão prontas, mas nossa própria carnalidade construiu uma pedra de lógica e expectativa que impede. Não importa se Deus mandar anjos para rolar a pedra se o seu foco estiver em "Jesus vai empurrar a pedra e ela vai cair para frente". Abrir mão do controle, do esperado é o que nos liberta para viver uma jornada de surpresas com Deus. Claro, é interessante termos planos, sonhos e planejamentos. Eu rendo tudo a Ele. Outro dia passei 20 minutos falando com Deus sobre sonhos para uma área da minha vida. 


Contudo, ao se planejar e se mover em direção a uma visão, peça a Ele por alinhamento e confirmação. Raramente teremos certeza absoluta e zero dúvidas, mas, se eu sei dentro de mim que eu preciso seguir esse caminho, venha o que vier, permanecerei. 

Mova-se aberto à maravilhosa possibilidade de nada sair como você planejava e esperava. Tenha alegria no fato de que tudo vai sair como você precisava. Mesmo sem reconhecer. 


Uma das minhas paixões é andar a cavalo. E eu precisei cair dele algumas vezes para entender que minha postura não estava adequada para ganhar velocidade. Melhor cair antes e aprender do que depois em uma velocidade onde os danos seriam maiores. Claro que também aprendi muito vendo outras pessoas contarem de suas quedas e ouvindo os conselhos dos professores, ou seja: há quedas que podem ser evitadas com aprendizado e foco humilde. Algumas, eu precisei viver. Outras, precisei apenas ouvir e aprender para evitar.


Uau, que viagem foi essa reflexão de silêncio! Obrigada, Senhor, por me permitir por meus pensamentos em algum lugar, mesmo que em um fluxo que eu não esperava. 


Decidi compartilhar esses pensamentos. Sei que pode ajudar alguém hoje. Se for você, amado(a) leitor(a), então cumpri a meta de Deus para o meu dia: servir alguém em amor. 


Deus te abençoe.


 
 
 

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