O papel das flores na saúde emocional e na produtividade
- Sophia Volpe
- há 3 horas
- 3 min de leitura

Não é surpresa para ninguém que eu amo flores. Amo flores na casa, na mesa, nos detalhes, nas estampas, nos jardins. Acho bonito, delicado e, de alguma maneira, parece que elas mudam o ambiente. Não por acaso um dos meus livros se chame De Volta ao Jardim. O jardim sempre teve um significado especial para mim. Mas esses dias fiquei pensando: será que ter flores por perto realmente muda alguma coisa dentro de nós ou é só uma sensação minha?
Fui procurar o que a ciência diz e descobri que existem pesquisas muito interessantes sobre isso. Um estudo publicado em Evolutionary Psychology investigou justamente o efeito das flores sobre as emoções. Os pesquisadores observaram respostas emocionais positivas ao receber flores e encontraram efeitos posteriores sobre o humor e até sobre comportamentos sociais. Em um dos experimentos com pessoas mais velhas, também apareceram resultados positivos relacionados à memória. Outro estudo, dessa vez observando simplesmente rosas frescas, encontrou sinais de maior relaxamento fisiológico e psicológico em trabalhadores de escritório enquanto eles olhavam para as flores.
E talvez isso ajude a explicar aquela sensação de entrar em um ambiente com flores e pensar: “Nossa, parece que ficou mais aconchegante ficar aqui.” Uma revisão sistemática sobre os efeitos fisiológicos de observar a natureza encontrou que o contato visual com elementos naturais, incluindo flores e plantas, aparece associado em diversos estudos a respostas corporais compatíveis com maior relaxamento. Há também experimentos em que a interação com plantas dentro de casa esteve relacionada à redução do estresse psicológico e fisiológico. Ou seja, não estamos falando de uma flor “curando” ansiedade ou depressão. Estamos falando de como o ambiente ao nosso redor pode colaborar, mesmo que de maneira pequena, para a forma como o nosso organismo responde ao dia, incentivando a produção e liberação de ocitocina e serotonina, que contribuem para a sensação de bem estar.
E aí vem outra coisa que me chamou a atenção: o ambiente também influencia a maneira como trabalhamos? Estudos em ambientes de trabalho encontraram melhora em alguns indicadores de atenção, satisfação e desempenho quando espaços muito neutros receberam plantas. Mas aqui gosto de trazer a ciência inteira, e não só a parte bonita dela. Nem todos os estudos encontram o mesmo efeito. Pesquisas realizadas em ambientes reais de trabalho já mostraram resultados mais modestos ou até ausência de diferença em determinadas condições. Então não, colocar um vaso ao lado do computador não vai magicamente transformar alguém em uma máquina de produtividade. Mas existe evidência suficiente para considerar que ambientes com elementos naturais podem favorecer bem-estar, atenção e uma experiência mais agradável do espaço.
Talvez a parte mais bela seja perceber como coisas aparentemente pequenas participam da construção da nossa rotina. A luz que entra pela janela, aquilo que colocamos sobre a mesa, um espaço organizado, uma música tranquila, uma flor recém-aberta. Quantas vezes esperamos uma grande mudança para começar a cuidar de como nos sentimos, quando o nosso cérebro está o tempo inteiro recebendo informações do ambiente? Saúde emocional também passa por aprender a construir espaços nos quais seja um pouco mais fácil respirar, desacelerar, concentrar e estar presente.
Continuarei decorando a casa com flores porque acho lindas. Agora, talvez com mais um motivo. Elas não substituem terapia, descanso, bons relacionamentos, exercício, alimentação ou qualquer cuidado necessário com a saúde mental. Mas podem ser um pequeno lembrete de que o ambiente também cuida de nós enquanto nós cuidamos dele. Florescer nunca depende de uma única coisa. Depende de cultivar, regar, iluminar, podar e dar tempo. Com a nossa mente, talvez não seja tão diferente.
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